SETEMBRO

01

Segurança Pública no país das “marolinhas”

Comissão dos Aprovados para o Concurso PRF 2009 levanta em artigo discussão sobre Segurança Publica. Dada a seriedade do tema abordado, resolvi divulgar o texto no site. Afinal, Segurança Pública precisa ser tratada como uma questão nacional.  

Leia na íntegra o artigo:
Segurança Pública no país das “marolinhas”.

Mais um dia no Rio de Janeiro. Mais um dia no Brasil. E mais um dia de violência. Uma criança é baleada dentro da sala de aula no subúrbio do Rio. Enquanto essa criança era socorrida e morria a caminho do hospital certamente entravam por nossas fronteiras armas. Verdadeiras armas de guerra entram 24 horas por dia, 7 dias por semana no nosso país. A Polícia Militar do Rio afirma que a operação foi um “desastre” e a família do menino tenta entender por que alguém atira na direção de uma escola. É o caos urbano.

Será possível deter a criminalidade? Não dá para fechar as fronteiras ao crime organizado? Com certeza essas são perguntas que merecem resposta.

Por anos a segurança pública foi (e vem sendo) colocada em segundo plano. Voltemos às fronteiras. Não existe praticamente fiscalização nelas. E quando existe, falta estrutura para o trabalho, falta efetivo, falta integração. Quando o Governo Federal adota uma postura, os estados-membros adotam outra. Não há organização, nem consenso.

Um concurso da Polícia Rodoviária Federal, realizado em 2009, que colocaria certamente mais de 1000 policiais nas ruas está travado na justiça. Mas, que justiça é essa, que país é esse, que deixa sua população exposta aos homicídios diários, à pedofilia, à extorsão? É líquido e certo que a burocracia e a lentidão das instituições públicas só contribuem para o crime.

Enquanto o Governo Federal leva mais de um ano para concluir um simples concurso para PRF, o crime organizado leva menos de um minuto para destruir famílias. Enquanto o efetivo da PRF beira os 10.000 homens, o tráfico de drogas só no Rio se utiliza de 16.000 crianças e adolescentes. Onde está o direito à cidadania, previsto no antigo 1º, inciso II da Constituição do Brasil? Onde está o direito à dignidade da pessoa humana, prevista no artigo 1º, inciso III da Constituição Federal? Essa é a (in) segurança pública do nosso país.

Há vários fatores que contribuem para o fracasso das políticas públicas de segurança púbica. Um deles é a desvalorização do policial. Nos Estados Unidos as pessoas têm orgulho da polícia. Eles conhecem sua Polícia. Incontável número de séries e filmes (Ex.CSI, The Shield, Law & Order, Criminal Minds, etc) estréiam todos os meses abordando o universo policial. Os policiais americanos pertencem, verdadeiramente, à classe média. Fica a reflexão: Será que os EUA seriam uma potência mundial se tivessem negligenciado sua segurança pública? Por outro lado, no Brasil, o policial tenta sobreviver com um salário, no mínimo, indigno da função que exerce. Por aqui, o homem da lei é visto como bandido. É estereotipado. É um inimigo público e ponto final. Nesse contexto, o policial não tem condições mínimas para exercer sua cidadania.

Não seria incomensuravelmente mais fácil (e mais prudente) colocar mais policiais nas fronteiras e rodovias (que geralmente estão em áreas rurais), do que realizar mega-operações nas cidades?  A quem interessa toda essa violência descontrolada? A quem interessa a juventude perdida para as drogas? Será que uma simples blitz da PRF não teria apreendido o fuzil que matou o menino Wesley no rio? Pode ser que sim, pode ser que não…

O que nós sabemos é que não dá para continuar como está. Nós, cidadãos brasileiros, já não agüentamos mais. Chega de violência, chega de corrupção, chega de impunidade. Enquanto a segurança pública do Brasil for tratada com descaso e desdém, nós sofreremos. Enquanto existirem policiais corruptos e mal pagos, nós sofreremos. Enquanto existirem crianças dormindo nas ruas, todos nós sofreremos.

Obrigado pelo apoio a nossa luta!

Aprovados PRF 2009.

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